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A mostrar mensagens de fevereiro, 2018

Por favor!

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O desespero… Vemos o desespero estampado nas faces empoeiradas de pais com os filhos que pereceram á sua frente… Inocentes, puros sem a maldade dos adultos. Como não sentirmos que podiam ser os nossos filhos? Assistimos diariamente no conforto do nosso sofá, a bombardeamento atrás de bombardeamento, a morte atrás de morte e nada fazemos. Lembro-me de Aylan há um ano atrás. De quanto me pareceu o meu Miguel, com a água a tocar-lhe os pés e com a face prostrada na areia. Do quanto isso me magoou na altura. Da noite que não dormi. Hoje vi a foto de uma menina que tapava os olhos á sua boneca, para ela não ver a desgraça que ali ia. Não sei o que viu de tão horrendo… Ninguém devia ver. Muito menos uma criança. Que alguém os guarde. Deuses ou terrenos. Por favor!

Um silêncio completamente Mudo!

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Ontem adormeci e acordei novo… Pesado no peito, como se uma alma defunta tivesse vindo e envolvido o meu coração. Começou com a queda ao sair da cama. Os pés cederam ao peso de algo que já não era apenas eu. Gritei de dor, num silvo agudo que ecoou no cimo da torre da igreja da aldeia. Mas ninguém veio. De onde estava conseguia olhar pela janela e vi o sol a esconder-se atrás de uma nuvem negra. Lá fora nem passos, nem palavras, nada. Não se ouvia absolutamente nada. Fiquei ali mais tempo do que os ponteiros do relógio conseguiram contar. Voltas e voltas sempre no mesmo chão. Segundos que se tornaram em horas demasiado rápido. Sem ninguém. Com um silêncio que ainda hoje é completamente mudo!

Amei-te Tanto

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Amei-te tantas vezes de uma só vez e sem sentido. Amei-te sem rumo, sem saber para onde íamos e onde acabaríamos. Amei-te com toda a alma, por alma de quem amei e nunca me quis. Amei-te sem destino numa cama de espinhos aguçados na mágoa qua ainda carrego no peito. Amei-te tanto. Amei-te muito. Muito mais tempo do que os ponteiros o relógio ditaram. Muito mais intensamente do que aquele vento que agora me sopra na cara, quando vou carpir as lágrimas de desdém, que sim, ainda choro. Como te amei, meu deus. Como me dói ainda pensar no que podíamos ter sido e nunca mais seremos. Nunca mais! Como aquela onda que aí está a chegar, que beija a fina areia e nunca mais volta. Nunca mais, meu amor!

Adeus...

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Vi-te partir como quem parte sem retorno. No comboio das quatro e meia. Abraçaste-me como se fosse para sempre teu e afastaste-te com o sorriso mais bonito do universo. Naquele instante, parte de mim foi naquela carruagem rumo a norte. Senti o peito a contrair e os olhos a fervilhar de dor. Tinha-te perdido. Sem nunca te ter tido afinal. Tanto tempo que passou e nunca percebi que tudo haviam sido histórias e sonhos mal contados. Adeus, meu Amor!

O Medo

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O medo… De quem fugi a vida toda. Medo de perder, muitas vezes sem nunca ter tido. Medo de deixar fugir, de deixar o tempo correr depressa demais e de me aperceber demasiado tarde. Sempre fui de receios. De suster a respiração, quando pressentia que algo menos bom vinha aí. Julgava eu, que se o fizesse a dor fosse menos dolorida e a pudesse suportar melhor. Os anos passaram e os medos ficaram. Saíam amiúde pelos meus olhos, expulsos por um coração que já não conseguia suportar mais sustos e tremores. Um dia partirão, como nós, no fogo ou na terra e arderão para sempre num outro lugar. Mais tranquilo, espero.

Espelho...

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Parei em frente ao lago, deviam ser umas quatro da tarde. No espelho de água parada pude ver-me a abandonar o meu corpo. Caminhava torpe pelo cansaço de um tempo inteiro passado nas correrias da vida. Não queria mais. Ajoelhei-me no chão quando já não consegui mais. Debruçado sob o meu peito ouvi um silvo de desespero, quando não havia mais ninguém. Era eu e o meu coração e ânsia de te querer e já não crer. Éramos nós os dois outra vez, diluídos nos três saltos que a pedra deu. Até cair no meio de toda aquela água.

Lágrimas...

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"Sabemos que vem. Mas nunca sabemos quando. Sabemos que é como abrir uma janela e entrar aquela brisa que nos arrepia a espinha e nos deixa imóveis. Depois vem o silêncio, a dor que se atraca em nós e faz do nosso peito a sua âncora. Ficamos sós ainda que acompanhados, só nos, o silêncio, a brisa e as lágrimas que devagar começam a correr cara abaixo..."

Sei lá...

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Sei lá o que carrega a tua alma. Sei lá se te atormenta a falta de um abraço ou a força de um sorriso.  Sei lá se te trazem o amor que deste em cada gesto. Sei lá se to devolvem.  Que tristeza me trazem as tuas lágrimas, que nunca param e sempre voltam envolvidas na poeira do teu olhar.  Sei lá! Sei lá o que carrega a tua alma !

Tanto tempo

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"As vezes que julguei que me perdi. Que respirei sem rumo e caminhei sem fôlego. As vezes que julguei que tudo era cinzento, que o sol aquecia pouco e que as estrelas tinham desaparecido. Tantas vezes. Tantas vezes, que hoje sem tapete para a dor, me estatelei na rugosa estrada da vida sem tempo para colocar os braços à frente. Rompi o queixo, parti o nariz, rasguei os olhos e a boca... Cicatrizes que duram uma vida inteira a cada vinte e quatro horas. Dentro de um dia, tant o tempo... Tanto tempo. Tempo que não volta, que queima e verte vertiginoso na alma de quem anseia e não tem. Que dói no peito de quem não acredita e cada vez mais é mais céptico. Tanto cepticismo neste tempo. Uma vida inteira. A cada vinte e quatro horas. Tanto tempo.  Uma vida!"

Do cimo...

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 Do cimo daquele monte senti o coração a saltar-me do peito...vi o mundo de todas as cores e ouvi o silêncio mais bonito do mundo...o vento rasou-me os braços e gelou-me o nariz, mas trouxe-me esperança. Daquela que faz os sonhos voar e nos agasalha que nem um cachecol de lã. Que nos afaga o pescoço e a alma! "