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A mostrar mensagens de abril, 2018

A ti que te escondes e foges...

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Quantas vezes disseste adeus? Lembras-te? Deixaste para trás o mundo e pessoas que só te quiseram bem. Fugiste de sonhos e mundos que podias ter. Disseste "Adeus" por dizer, sem a beleza das palavras de Andrade. Como ele diria "agora metes as mãos na algibeira e não encontras nada". Quantas vezes te quis abraçar e dizer-te que estava tudo bem. Procurei-te de rosa na mão , joelho no chão e de peito aberto. Mas nem assim me olhaste. Disseste-me pela milésima vez Adeus e partiste para aquele desamor de amor, pelo qual lutas com todas as forças, sozinha. Nos meus pensamentos " gastamos as mãos á força de as apertarmos", mas na vida real não sobrou nada. Nada a não ser nostalgia do que nunca fomos e os espinhos daquela rosa branca que se me cravaram nas mãos e no coração. E que ainda hoje sangram...

Amei sem que nunca soubesses

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Amei sem que nunca soubesses. a cada olhar, cada sorriso, amei cada copo e cada cigarro. Amei por instantes que os segundos não fossem à velocidade com que partias e chegavas. Amei que visses como vias, que pensasses como quem voa e nunca mais volta. Amei...

Gritos!

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Há pedidos de socorro que estão implícitos. Mágoas carpidas em palavras de dor e desilusão. Há gente que ama tanto quanto pode e se desilude muito mais do que julgava ser possível e há momentos em que se sofre tanto, que parece que mais nada nos cabe no peito. Há sempre muito mais ontem do que hoje e o amanhã está atrás da serra que lá longe paira no horizonte. Longínquo. Há amanhã. Ainda que longe ele virá. Vestido de branco e em cima de um cavalo. Quem sabe se em dia de nevoeiro também. E trará os sonhos e os sorrisos e a vontade de viver. Há pedidos de socorro que estão implícitos. Vozes silenciosas que imploram por ajuda!

Queimamo-nos várias vezes...

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Foi enquanto bebia um whisky no bar onde ia todas as noites que te vi. Vestido curto, perna cruzada e com o fumo de um cigarro ao teu redor...Pousei os olhos no copo e só os levantei quando vi um papel debaixo de umas unhas vermelhas a pousar no balcão. "moro no 1 drt deste prédio- dá-me 10 minutos e sobe".   Pensei 100 vezes se aquilo me estaria a acontecer de verdade, acabei o whisky , paguei ao Vicente e saí...o prédio era de dois andares daqueles velhotes, em pleno bairro de Lisboa...a porta cá em baixo estava aberta, subi as escadas rangentes de madeira com cuidado.   Ao cimo, do lado da porta verde dizia 1 direito. Bati! Abriste a porta e puxaste-me . Levantei-te no ar até ao cima daquela mesa...beijamo-nos de fogo e queimamo-nos várias vezes..

26

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Vinte e seis. Vinte e seis eram os degraus que desci cambaleante quando me disseste que já não me amavas. Os sonhos, as caminhadas lado a lado, cada gota de suor, tudo calçada abaixo. Mais tarde os senhores da câmara limparam tudo...com jactos de água empurraram o que restava do nosso amor para cada frincha da sarjeta. Ninguém me disse. Fui eu que vi. No chão daquele vão de escada onde o meu corpo pereceu perante a ausência de força e de coragem. Sabemos bem como é nestas alturas. Tudo é o fim do mundo. Tudo fica basso com a respiração ofegante e as lágrimas de desespero. Alquimia da dor e do desdém. Do desamor e do desapego. Eram 26. Contei-os um a um até que senti por fim o frio a bater na pele. Arrepiei-me. É quando a parte sensorial volta a despertar que descobrimos que afinal há amanhã. E é melhor ir para casa!