Tanto tempo
"As vezes que julguei que me perdi. Que respirei sem rumo e caminhei sem fôlego. As vezes que julguei que tudo era cinzento, que o sol aquecia pouco e que as estrelas tinham desaparecido.
Tantas vezes.
Tantas vezes, que hoje sem tapete para a dor, me estatelei na rugosa estrada da vida sem tempo para colocar os braços à frente. Rompi o queixo, parti o nariz, rasguei os olhos e a boca... Cicatrizes que duram uma vida inteira a cada vinte e quatro horas. Dentro de um dia, tanto tempo...
Tanto tempo.
Tempo que não volta, que queima e verte vertiginoso na alma de quem anseia e não tem. Que dói no peito de quem não acredita e cada vez mais é mais céptico. Tanto cepticismo neste tempo. Uma vida inteira. A cada vinte e quatro horas. Tanto tempo.
Uma vida!"
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