O Medo
De quem fugi a vida toda. Medo de perder, muitas vezes sem
nunca ter tido.
Medo de deixar fugir, de deixar o tempo correr depressa
demais e de me aperceber demasiado tarde.
Sempre fui de receios.
De suster a respiração, quando pressentia que algo menos bom
vinha aí. Julgava eu, que se o fizesse a dor fosse menos dolorida e a pudesse
suportar melhor.
Os anos passaram e os medos ficaram.
Saíam amiúde pelos meus olhos, expulsos por um coração que
já não conseguia suportar mais sustos e tremores.
Um dia partirão, como nós, no fogo ou na terra e arderão
para sempre num outro lugar.
Mais tranquilo, espero.

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