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A mostrar mensagens de março, 2018

O conforto que buscava...

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Como se gela o coração e os dedos das mãos lá fora. O pescoço tive-o quente até entrar. Envolvida no cachecol do teu abraço e no bafo dos teus beijos. Cuidei que nos quentássemos e busquei os paus para a lareira enquanto tu abrias uma garrafa de vinho. O som da rolha a deixar respirar aquele líquido dos deuses aqueceu de imediato as lajes de granito que envolviam as quatro paredes onde estávamos. Não demorou até que fizesse um calorzinho bom...a madeira estalava à medida que nos aproximamos e colocamos uma manta pelas costas... Quis que dormíssemos ali. Lembrei-me que o meu avô guardava na dispensa ao pé do forno de pedra, um colchão velho de palha. Arrastei-o como pude. Naquela noite só precisava de sentir o vinho a correr nas veias e um corpo colado ao meu. Depois a lareira manteria o aconchego necessário. Fui à janela...vi lá em baixo o jardim a encher-se de branco. Senti uma alça a cair e as tuas mãos. Saberia que num instante seria de manhã!

Nunca saberás

Não de mim… Nunca saberás que o que senti por ti foi muito mais do que um frio na barriga. Nunca saberás que te sonhava noite e dia, que me arrepiava de cada vez que me olhavas ou de cada vez que sorrias. Nunca to direi. Nunca direi o quanto de mim eras muito mais tu do que eu. Nunca te direi que uma noite dei o teu nome àquela estrela, nem que sem apelo nem agravo, esquartejei a casca grossa daquele cedro velho do jardim da estrela, para que lá perdurassem os nossos nomes. Lado a lado. Nunca te direi que sinto a tua falta, Ainda que sinta. Sinto tanto que o vazio que me vai no peito se tem adensado mais todos os dias. Sinto muito. Como me dói e corrói esta ausência. Nostalgia de músicas e momentos. Saudades das mãos dadas a percorrer os passeios. Onde estás? Nunca te direi onde estou eu. Que sinto a tua falta e a falta de ser eu. De sermos nós. Para todos os dias da nossa vida!

Tenho Frio

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Conheci-te num acaso de palavras. Comunhão de gosto e sentidos. Chegaste como quem se conhece há muito tempo e abraçaste-me de caneta na mão. Aninhei-me, enroscado em letras e papéis que me aqueciam o pescoço, como um cachecol de lã, daqueles quentinhos que as velhinhas em trás-os-montes fazem… E agora foste embora… E levaste as palavras e as letras e os papéis…. E eu fiquei com frio, sem cachecol, sem aconchego e sem sítio para onde ir…

Já todo o amor tinha sido feito!

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De todos os olhares que há no mundo, foi o meu que cruzaste. Lutaste incessantemente para não ceder, mas sucumbiste ao desejo de querer ter. Fugiste furiosa comigo e contigo. Comigo porque nunca desviei o olhar e contigo porque nunca conseguiste desistir de tentar. Amamo-nos tanto à distância que quando caímos nos braços um do outro, já todo o amor tinha sido feito. Corpos colados, lábios pregados, sonhos de uma vida inteira de mãos dadas. De todos os olhares que há no mundo foi o meu que cruzaste. E agora que estás aqui, não te vou deixar mais partir!

365 Horas Por dia

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Há alturas em que penso em ti 365 horas por dia. A cada 24 respiro fundo. Descanso e depois me ergo para mais um ciclo. Há dias em que todos os sonhos são recomeços. Retempero de forças e início de mais uma busca incessante de mim. De ti. De nós! Há dias em que todos os teus olhares são luz e há noites onde tudo escurece porque não estás aqui. Há dias em que os fios dos teus cabelos se enrolam nas minhas mãos e outros em que apenas os vejo esvoaçar, quando me sento á janela e te vejo a caminhar naquela areia que tantas vezes percorremos juntos. Há dias assim. 365 horas por dia. A cada 24 respiro fundo. E recomeço.