O conforto que buscava...
Como se gela o coração e os dedos das mãos lá fora. O pescoço tive-o quente até entrar. Envolvida no cachecol do teu abraço e no bafo dos teus beijos. Cuidei que nos quentássemos e busquei os paus para a lareira enquanto tu abrias uma garrafa de vinho. O som da rolha a deixar respirar aquele líquido dos deuses aqueceu de imediato as lajes de granito que envolviam as quatro paredes onde estávamos. Não demorou até que fizesse um calorzinho bom...a madeira estalava à medida que nos aproximamos e colocamos uma manta pelas costas... Quis que dormíssemos ali. Lembrei-me que o meu avô guardava na dispensa ao pé do forno de pedra, um colchão velho de palha. Arrastei-o como pude. Naquela noite só precisava de sentir o vinho a correr nas veias e um corpo colado ao meu. Depois a lareira manteria o aconchego necessário. Fui à janela...vi lá em baixo o jardim a encher-se de branco. Senti uma alça a cair e as tuas mãos. Saberia que num instante seria de manhã!