Mensagens

Às mãos que se tocam através dos vidros bassos

Imagem
 Às mãos que se tocam através dos vidros bassos de um comboio prestes a partir.  Frias, vazias de qualquer esperança. Tocam o rosto, afagam os cabelos antes do doloroso adeus que esperam não ser para sempre.                                                                                                                                                                              Os sonhos,  orfãos de alegria, ficam perdidos no meio do arfar quente no meio do gelo e da neve.  Até que os carris estremecem e o vento toca toda a gente para trás....

O Peito rasgou-se como uma folha de papel!

Imagem
Morava em São Bento... De manhã o telefone tocou e acordei sobressaltado. A luta que tinha durado tanto tempo havia terminado. Do outro lado palavras trémulas anunciavam o que senti que tinha acontecido assim que o velhinho Nokia começou a tocar... Meti a cara na almofada e chorei desalmadamente. Sentia o peito a rasgar-se ao meio como uma folha de papel. Que dor era esta que me devorava como nunca antes? Ao fim de 30 minutos lá arranjei coragem para tomar um duche rápido, secar-me como consegui, meter num saco meia dúzia de coisas e sair. Tinha pela frente a viagem mais longa da minha vida. Durante o percurso na estrada, só me vinham as memórias de uma infância incrível, no sítio mais especial que já conheci e com a mão do meu avô a pegar na minha mão. Por fim cheguei. Uma nuvem pairava sobre a aldeia. Durante dois dias o céu chorou copiosamente sem parar. Eu, chorei até à última despedida. Até já não ter forças e não ter mais lágrimas.

Faz tempo!

Imagem
Faz tempo que não percorro as tuas pedras certas e frias. Tempo que dói a cada avanço do relógio na alma de quem ali pertence desde sempre. Faz tempo que ali corri descalço, de chinelos ou sapatilhas sempre à frente de uma felicidade contagiante. Faz tempo que estivemos todos. Como é que desde ontem avançamos tanto? Como é que ontem éramos tantos e agora somos tão poucos...Os outros desapareceram, foram andando para onde havemos de ir todos... Passado tanto tempo...vou voltar a pisar aquele chão, vou voltar a respirar aquele ar e quem sabe consiga, ainda que por instantes, ir buscar todos outra vez...!

O outono de pessoas

Imagem
Houve um dia em que as cigarras se calaram. Em que os restolhos dourados deixaram de ser tocados pelo orvalho da madrugada. Houve um dia em que ouvir os cães a  ladrar à alcateia que circundava a aldeia, esfomeada, deixou de soar daquela maneira. Em que o sol que outrora espreitava por detrás da serra, deixou de tocar os lameiros verdejantes ladeados pelos muros de pedra, que os nossos ansiãos, pacientemente ,colocaram uma após outra. Houve um dia, em que as pessoas da nossa meninice, envelheceram e caíram, como as folhas desse outono que agora inicia, caiem das árvores. A nossa aldeia é uma árvore. Agora está despida. Os meninos de outrora cresceram e partiram e na rua, agora, já não os há. E não sei se brotarão mais folhas um dia...

Vendi-te a ti, para nunca perdê-la de mim

Imagem
A alma que tantas vezes prometi ao céu... Vendi a alma que tantas vezes prometi ao céu. Vendi-a em troca do seu amor, do seu brilho,  daquela magia que faz os corações suspirar. Vendi a alma, porque era a única forma de te ter. Vendi-a em troca de sonhos,  de esperança,  daquele esvoaçar que nos faz viajar tantas e tantas vezes sem sair do mesmo lugar... Vendi a alma porque era a única forma de não a perder... De te ter e a ela ... Vendi a alma em troca do meu respirar, do teu olhar  e de toda a vida que há no mundo! Vendi-te a ti,  para nunca perdê-la de mim....

Neons e Azinheiras

Imagem
 Não acredito em nada.  Ensinaram-me tanto sobre Deus e os Deuses. Neons e Azinheiras. Puta que pariu mais o tempo que perdi nesses antros de lavagem cerebral , onde até as batinas parecem coletes sem braços para as (sem)forças espirituais. Vejo as pessoas perecerem perante a doença, vejo as mesmas crianças de toda a vida a serem abusadas , como já eram no tempo da inquisição. Acendam a fogueira e deixem-nos arder a todos. Não há ponta por onde pegar? Comecem pela cruz!

Foi nos teus Olhos!

Imagem
Foi nos teus olhos que eu me vi, Foi na vida e no brilho e no ar que respirei Foi nos teus olhos que eu fui eu Muito mais vezes do que tinha sido até então. Foi nos teus olhos que eu nasci Tantas vezes que já nem sei Se o ar me faltou ou se me perdeu Para sempre num caminho sem razão. Foi nos teus olhos, Que te abracei para sempre o coração, Ás vezes mais forte do que te envolvi Nos meus braços, Foi nos teus olhos que te disse sim Muito mais vezes do que o custoso não E neles vi muito mais princípio Do que algum dia verei fim…

Ninguém me viu

Imagem
Ninguém me viu quando rasguei o céu dos meus olhos e de lá brotaram dois oceanos. Ninguém me viu sair de madrugada, com o peito apertado pela saudade dos teus braços e cambaleante pela falta dos teus olhos. Ninguém. Nem os homens que regressavam a caso dos bares, ébrios, pelo contagiante líquido do interior de garrafas de vidro cor de sangue, nem os senhores fluorescentes que com jactos enormes de água empurravam resquícios de vida e de alma por cada frincha de sarjeta… Ninguém. Ninguém me viu, nem me vê. Nem quando me passam por cima, nem quando me espezinham a roupa gasta que me cobre este corpo vagabundo e cansado. Ninguém. Ninguém me viu.

Gindenheim

Imagem
Era o fim de uma tarde infernal. Meti-me no metro, qual sardinha enlatada e fui levando encontrão daqui e dali até me deixar encostado àquela porta do lado contrário, que não serve para nada. Fechei os olhos por instantes por entre o ruído das carruagens e dos travões a silvar nos carris. De tempos a tempos ouvia também uma tosse esporádica de fundo e um senhor que usava a bengala como marcador de ritmo e que pedia a um qualquer deus, ou a alguém que o ajudasse. Saí por fim. Meti por quinhentas vezes as mãos nos bolsos e não encontrei o bilhete. Olhei para trás e estava no chão. Não sei como tão rapidamente entrei e saí da carruagem, sem que as portas se fechassem em cheio na minha cara. Passei por fim nos pórticos envidraçados de controlo de trafulhas e comecei a subir as escadas rolantes. Exausto, encostei-me no corrimão e deixei-me ir. Um lance, dois lances que nunca mais terminavam. Cerrei os olhos por um momento e fui desperto por um toque na mão e um doce e tímido "o...

Saudades de ti...

Imagem
Sinto saudades de ti...  Abro os olhos e tu não estás olho a linha do horizonte e encontro-te...  O tempo demora a passar o sol deixou de brilhar guardo os sussurros que não esqueço  a estrada, o céu  e o mar...  Sem ti perdeu-se o sentido e mais nada tem valor tudo dói mais do que a dilacerante dor o raio que cai, o vento que passa, o amor...  dói demais a estrela cadente, o sol que é poente  e os sonhos que não voltam mais....