O outono de pessoas
Houve um dia em que as cigarras se calaram. Em que os restolhos dourados deixaram de ser tocados pelo orvalho da madrugada.
Houve um dia em que ouvir os cães a ladrar à alcateia que circundava a aldeia, esfomeada, deixou de soar daquela maneira.
Em que o sol que outrora espreitava por detrás da serra, deixou de tocar os lameiros verdejantes ladeados pelos muros de pedra, que os nossos ansiãos, pacientemente ,colocaram uma após outra.
Houve um dia, em que as pessoas da nossa meninice, envelheceram e caíram, como as folhas desse outono que agora inicia, caiem das árvores.
A nossa aldeia é uma árvore.
Agora está despida. Os meninos de outrora cresceram e partiram e na rua, agora, já não os há. E não sei se brotarão mais folhas um dia...
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