Gindenheim
Era o fim de uma tarde infernal.Meti-me no metro, qual sardinha enlatada e fui levando encontrão daqui e dali até me deixar encostado àquela porta do lado contrário, que não serve para nada.
Fechei os olhos por instantes por entre o ruído das carruagens e dos travões a silvar nos carris. De tempos a tempos ouvia também uma tosse esporádica de fundo e um senhor que usava a bengala como marcador de ritmo e que pedia a um qualquer deus, ou a alguém que o ajudasse.
Saí por fim. Meti por quinhentas vezes as mãos nos bolsos e não encontrei o bilhete. Olhei para trás e estava no chão. Não sei como tão rapidamente entrei e saí da carruagem, sem que as portas se fechassem em cheio na minha cara.
Passei por fim nos pórticos envidraçados de controlo de trafulhas e comecei a subir as escadas rolantes. Exausto, encostei-me no corrimão e deixei-me ir. Um lance, dois lances que nunca mais terminavam. Cerrei os olhos por um momento e fui desperto por um toque na mão e um doce e tímido "olá ".
Despertei daquela espécie de transe e olhei para ver quem teria sido. Não te reconheci à primeira e para ser justo nem à segunda. A tua cara não me era estranha, mas era um daqueles momentos em que sentes claramente que já te havias cruzado com uma pessoa, só não sabes onde.
Por fim fez-se luz. Era Erin, a empregada de bar que ontem me tinha pago um copo no Gindenheim. Quando acabou aquele lance de escada , desci rapidamente quase a voar, para ver se a apanhava mas sem sucesso. Vi-a misturar-se na multidão rumo ao Cais do Sodré e soube imediatamente que não valeria a pena correr mais.
Logo à noite ia ao Gindenheim novamente.
Comentários
Enviar um comentário