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Gindenheim

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Era o fim de uma tarde infernal. Meti-me no metro, qual sardinha enlatada e fui levando encontrão daqui e dali até me deixar encostado àquela porta do lado contrário, que não serve para nada. Fechei os olhos por instantes por entre o ruído das carruagens e dos travões a silvar nos carris. De tempos a tempos ouvia também uma tosse esporádica de fundo e um senhor que usava a bengala como marcador de ritmo e que pedia a um qualquer deus, ou a alguém que o ajudasse. Saí por fim. Meti por quinhentas vezes as mãos nos bolsos e não encontrei o bilhete. Olhei para trás e estava no chão. Não sei como tão rapidamente entrei e saí da carruagem, sem que as portas se fechassem em cheio na minha cara. Passei por fim nos pórticos envidraçados de controlo de trafulhas e comecei a subir as escadas rolantes. Exausto, encostei-me no corrimão e deixei-me ir. Um lance, dois lances que nunca mais terminavam. Cerrei os olhos por um momento e fui desperto por um toque na mão e um doce e tímido "o...

Saudades de ti...

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Sinto saudades de ti...  Abro os olhos e tu não estás olho a linha do horizonte e encontro-te...  O tempo demora a passar o sol deixou de brilhar guardo os sussurros que não esqueço  a estrada, o céu  e o mar...  Sem ti perdeu-se o sentido e mais nada tem valor tudo dói mais do que a dilacerante dor o raio que cai, o vento que passa, o amor...  dói demais a estrela cadente, o sol que é poente  e os sonhos que não voltam mais....

Abraço

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Os anos passaram e nunca mais te tinha visto. A nós os dois, deixei-nos deitados a rebolar no feno macio, no final daquela tarde quente de Verão. Calças de ganga, camisas aos quadrados e abraços redondos, nos mais embaraçados dos braços. Éramos tão meninos. Meninos nos sonhos, nos beijos e na vida que projectávamos. Gravámos os nossos nomes naquela árvore que era nossa, um por cima do outro e com um "love" no meio, como o mais piroso dos "nineters". Amámo-nos tanto. Eu trepava figueira acima com os bolsos cheios de pedras e mandava-as uma a uma para a tua janela , até que uma ecoasse no vidro e te fizesse vir à janela. E lá vinhas tu, cabelos desgrenhados e linda como o nascer de um dia por cima de um restolho de trigo dourado. Prometemos amor eterno e que nunca iríamos crescer. Nunca cumprimos. Os anos passaram e nunca mais te tinha visto. Até hoje. Até ao momento em que nos cruzámos numa das ruas mais movimentadas da cidade e parámos nos olhos um do o...

A ti que te escondes e foges...

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Quantas vezes disseste adeus? Lembras-te? Deixaste para trás o mundo e pessoas que só te quiseram bem. Fugiste de sonhos e mundos que podias ter. Disseste "Adeus" por dizer, sem a beleza das palavras de Andrade. Como ele diria "agora metes as mãos na algibeira e não encontras nada". Quantas vezes te quis abraçar e dizer-te que estava tudo bem. Procurei-te de rosa na mão , joelho no chão e de peito aberto. Mas nem assim me olhaste. Disseste-me pela milésima vez Adeus e partiste para aquele desamor de amor, pelo qual lutas com todas as forças, sozinha. Nos meus pensamentos " gastamos as mãos á força de as apertarmos", mas na vida real não sobrou nada. Nada a não ser nostalgia do que nunca fomos e os espinhos daquela rosa branca que se me cravaram nas mãos e no coração. E que ainda hoje sangram...

Amei sem que nunca soubesses

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Amei sem que nunca soubesses. a cada olhar, cada sorriso, amei cada copo e cada cigarro. Amei por instantes que os segundos não fossem à velocidade com que partias e chegavas. Amei que visses como vias, que pensasses como quem voa e nunca mais volta. Amei...

Gritos!

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Há pedidos de socorro que estão implícitos. Mágoas carpidas em palavras de dor e desilusão. Há gente que ama tanto quanto pode e se desilude muito mais do que julgava ser possível e há momentos em que se sofre tanto, que parece que mais nada nos cabe no peito. Há sempre muito mais ontem do que hoje e o amanhã está atrás da serra que lá longe paira no horizonte. Longínquo. Há amanhã. Ainda que longe ele virá. Vestido de branco e em cima de um cavalo. Quem sabe se em dia de nevoeiro também. E trará os sonhos e os sorrisos e a vontade de viver. Há pedidos de socorro que estão implícitos. Vozes silenciosas que imploram por ajuda!

Queimamo-nos várias vezes...

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Foi enquanto bebia um whisky no bar onde ia todas as noites que te vi. Vestido curto, perna cruzada e com o fumo de um cigarro ao teu redor...Pousei os olhos no copo e só os levantei quando vi um papel debaixo de umas unhas vermelhas a pousar no balcão. "moro no 1 drt deste prédio- dá-me 10 minutos e sobe".   Pensei 100 vezes se aquilo me estaria a acontecer de verdade, acabei o whisky , paguei ao Vicente e saí...o prédio era de dois andares daqueles velhotes, em pleno bairro de Lisboa...a porta cá em baixo estava aberta, subi as escadas rangentes de madeira com cuidado.   Ao cimo, do lado da porta verde dizia 1 direito. Bati! Abriste a porta e puxaste-me . Levantei-te no ar até ao cima daquela mesa...beijamo-nos de fogo e queimamo-nos várias vezes..

26

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Vinte e seis. Vinte e seis eram os degraus que desci cambaleante quando me disseste que já não me amavas. Os sonhos, as caminhadas lado a lado, cada gota de suor, tudo calçada abaixo. Mais tarde os senhores da câmara limparam tudo...com jactos de água empurraram o que restava do nosso amor para cada frincha da sarjeta. Ninguém me disse. Fui eu que vi. No chão daquele vão de escada onde o meu corpo pereceu perante a ausência de força e de coragem. Sabemos bem como é nestas alturas. Tudo é o fim do mundo. Tudo fica basso com a respiração ofegante e as lágrimas de desespero. Alquimia da dor e do desdém. Do desamor e do desapego. Eram 26. Contei-os um a um até que senti por fim o frio a bater na pele. Arrepiei-me. É quando a parte sensorial volta a despertar que descobrimos que afinal há amanhã. E é melhor ir para casa!

O conforto que buscava...

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Como se gela o coração e os dedos das mãos lá fora. O pescoço tive-o quente até entrar. Envolvida no cachecol do teu abraço e no bafo dos teus beijos. Cuidei que nos quentássemos e busquei os paus para a lareira enquanto tu abrias uma garrafa de vinho. O som da rolha a deixar respirar aquele líquido dos deuses aqueceu de imediato as lajes de granito que envolviam as quatro paredes onde estávamos. Não demorou até que fizesse um calorzinho bom...a madeira estalava à medida que nos aproximamos e colocamos uma manta pelas costas... Quis que dormíssemos ali. Lembrei-me que o meu avô guardava na dispensa ao pé do forno de pedra, um colchão velho de palha. Arrastei-o como pude. Naquela noite só precisava de sentir o vinho a correr nas veias e um corpo colado ao meu. Depois a lareira manteria o aconchego necessário. Fui à janela...vi lá em baixo o jardim a encher-se de branco. Senti uma alça a cair e as tuas mãos. Saberia que num instante seria de manhã!

Nunca saberás

Não de mim… Nunca saberás que o que senti por ti foi muito mais do que um frio na barriga. Nunca saberás que te sonhava noite e dia, que me arrepiava de cada vez que me olhavas ou de cada vez que sorrias. Nunca to direi. Nunca direi o quanto de mim eras muito mais tu do que eu. Nunca te direi que uma noite dei o teu nome àquela estrela, nem que sem apelo nem agravo, esquartejei a casca grossa daquele cedro velho do jardim da estrela, para que lá perdurassem os nossos nomes. Lado a lado. Nunca te direi que sinto a tua falta, Ainda que sinta. Sinto tanto que o vazio que me vai no peito se tem adensado mais todos os dias. Sinto muito. Como me dói e corrói esta ausência. Nostalgia de músicas e momentos. Saudades das mãos dadas a percorrer os passeios. Onde estás? Nunca te direi onde estou eu. Que sinto a tua falta e a falta de ser eu. De sermos nós. Para todos os dias da nossa vida!