Gindenheim
Era o fim de uma tarde infernal. Meti-me no metro, qual sardinha enlatada e fui levando encontrão daqui e dali até me deixar encostado àquela porta do lado contrário, que não serve para nada. Fechei os olhos por instantes por entre o ruído das carruagens e dos travões a silvar nos carris. De tempos a tempos ouvia também uma tosse esporádica de fundo e um senhor que usava a bengala como marcador de ritmo e que pedia a um qualquer deus, ou a alguém que o ajudasse. Saí por fim. Meti por quinhentas vezes as mãos nos bolsos e não encontrei o bilhete. Olhei para trás e estava no chão. Não sei como tão rapidamente entrei e saí da carruagem, sem que as portas se fechassem em cheio na minha cara. Passei por fim nos pórticos envidraçados de controlo de trafulhas e comecei a subir as escadas rolantes. Exausto, encostei-me no corrimão e deixei-me ir. Um lance, dois lances que nunca mais terminavam. Cerrei os olhos por um momento e fui desperto por um toque na mão e um doce e tímido "o...