26

Vinte e seis.

Vinte e seis eram os degraus que desci cambaleante quando me disseste que já não me amavas.

Os sonhos, as caminhadas lado a lado, cada gota de suor, tudo calçada abaixo.

Mais tarde os senhores da câmara limparam tudo...com jactos de água empurraram o que restava do nosso amor para cada frincha da sarjeta.

Ninguém me disse. Fui eu que vi. No chão daquele vão de escada onde o meu corpo pereceu perante a ausência de força e de coragem.

Sabemos bem como é nestas alturas.

Tudo é o fim do mundo. Tudo fica basso com a respiração ofegante e as lágrimas de desespero. Alquimia da dor e do desdém. Do desamor e do desapego.

Eram 26. Contei-os um a um até que senti por fim o frio a bater na pele. Arrepiei-me. É quando a parte sensorial volta a despertar que descobrimos que afinal há amanhã.

E é melhor ir para casa!




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