Abraço
Os anos passaram e nunca mais te tinha visto.A nós os dois, deixei-nos deitados a rebolar no feno macio, no final daquela tarde quente de Verão. Calças de ganga, camisas aos quadrados e abraços redondos, nos mais embaraçados dos braços.
Éramos tão meninos. Meninos nos sonhos, nos beijos e na vida que projectávamos. Gravámos os nossos nomes naquela árvore que era nossa, um por cima do outro e com um "love" no meio, como o mais piroso dos "nineters".
Amámo-nos tanto.
Eu trepava figueira acima com os bolsos cheios de pedras e mandava-as uma a uma para a tua janela , até que uma ecoasse no vidro e te fizesse vir à janela. E lá vinhas tu, cabelos desgrenhados e linda como o nascer de um dia por cima de um restolho de trigo dourado.
Prometemos amor eterno e que nunca iríamos crescer. Nunca cumprimos.
Os anos passaram e nunca mais te tinha visto.
Até hoje. Até ao momento em que nos cruzámos numa das ruas mais movimentadas da cidade e parámos nos olhos um do outro.
Vieram-nos todos os momentos, todos os sonhos e todas as promessas que nunca soubemos fazer valer. Vieram em forma de lágrimas e caíram no meio de um abraço apertado, forte e eterno.
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