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O conforto que buscava...

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Como se gela o coração e os dedos das mãos lá fora. O pescoço tive-o quente até entrar. Envolvida no cachecol do teu abraço e no bafo dos teus beijos. Cuidei que nos quentássemos e busquei os paus para a lareira enquanto tu abrias uma garrafa de vinho. O som da rolha a deixar respirar aquele líquido dos deuses aqueceu de imediato as lajes de granito que envolviam as quatro paredes onde estávamos. Não demorou até que fizesse um calorzinho bom...a madeira estalava à medida que nos aproximamos e colocamos uma manta pelas costas... Quis que dormíssemos ali. Lembrei-me que o meu avô guardava na dispensa ao pé do forno de pedra, um colchão velho de palha. Arrastei-o como pude. Naquela noite só precisava de sentir o vinho a correr nas veias e um corpo colado ao meu. Depois a lareira manteria o aconchego necessário. Fui à janela...vi lá em baixo o jardim a encher-se de branco. Senti uma alça a cair e as tuas mãos. Saberia que num instante seria de manhã!

Nunca saberás

Não de mim… Nunca saberás que o que senti por ti foi muito mais do que um frio na barriga. Nunca saberás que te sonhava noite e dia, que me arrepiava de cada vez que me olhavas ou de cada vez que sorrias. Nunca to direi. Nunca direi o quanto de mim eras muito mais tu do que eu. Nunca te direi que uma noite dei o teu nome àquela estrela, nem que sem apelo nem agravo, esquartejei a casca grossa daquele cedro velho do jardim da estrela, para que lá perdurassem os nossos nomes. Lado a lado. Nunca te direi que sinto a tua falta, Ainda que sinta. Sinto tanto que o vazio que me vai no peito se tem adensado mais todos os dias. Sinto muito. Como me dói e corrói esta ausência. Nostalgia de músicas e momentos. Saudades das mãos dadas a percorrer os passeios. Onde estás? Nunca te direi onde estou eu. Que sinto a tua falta e a falta de ser eu. De sermos nós. Para todos os dias da nossa vida!

Tenho Frio

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Conheci-te num acaso de palavras. Comunhão de gosto e sentidos. Chegaste como quem se conhece há muito tempo e abraçaste-me de caneta na mão. Aninhei-me, enroscado em letras e papéis que me aqueciam o pescoço, como um cachecol de lã, daqueles quentinhos que as velhinhas em trás-os-montes fazem… E agora foste embora… E levaste as palavras e as letras e os papéis…. E eu fiquei com frio, sem cachecol, sem aconchego e sem sítio para onde ir…

Já todo o amor tinha sido feito!

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De todos os olhares que há no mundo, foi o meu que cruzaste. Lutaste incessantemente para não ceder, mas sucumbiste ao desejo de querer ter. Fugiste furiosa comigo e contigo. Comigo porque nunca desviei o olhar e contigo porque nunca conseguiste desistir de tentar. Amamo-nos tanto à distância que quando caímos nos braços um do outro, já todo o amor tinha sido feito. Corpos colados, lábios pregados, sonhos de uma vida inteira de mãos dadas. De todos os olhares que há no mundo foi o meu que cruzaste. E agora que estás aqui, não te vou deixar mais partir!

365 Horas Por dia

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Há alturas em que penso em ti 365 horas por dia. A cada 24 respiro fundo. Descanso e depois me ergo para mais um ciclo. Há dias em que todos os sonhos são recomeços. Retempero de forças e início de mais uma busca incessante de mim. De ti. De nós! Há dias em que todos os teus olhares são luz e há noites onde tudo escurece porque não estás aqui. Há dias em que os fios dos teus cabelos se enrolam nas minhas mãos e outros em que apenas os vejo esvoaçar, quando me sento á janela e te vejo a caminhar naquela areia que tantas vezes percorremos juntos. Há dias assim. 365 horas por dia. A cada 24 respiro fundo. E recomeço.

Por favor!

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O desespero… Vemos o desespero estampado nas faces empoeiradas de pais com os filhos que pereceram á sua frente… Inocentes, puros sem a maldade dos adultos. Como não sentirmos que podiam ser os nossos filhos? Assistimos diariamente no conforto do nosso sofá, a bombardeamento atrás de bombardeamento, a morte atrás de morte e nada fazemos. Lembro-me de Aylan há um ano atrás. De quanto me pareceu o meu Miguel, com a água a tocar-lhe os pés e com a face prostrada na areia. Do quanto isso me magoou na altura. Da noite que não dormi. Hoje vi a foto de uma menina que tapava os olhos á sua boneca, para ela não ver a desgraça que ali ia. Não sei o que viu de tão horrendo… Ninguém devia ver. Muito menos uma criança. Que alguém os guarde. Deuses ou terrenos. Por favor!

Um silêncio completamente Mudo!

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Ontem adormeci e acordei novo… Pesado no peito, como se uma alma defunta tivesse vindo e envolvido o meu coração. Começou com a queda ao sair da cama. Os pés cederam ao peso de algo que já não era apenas eu. Gritei de dor, num silvo agudo que ecoou no cimo da torre da igreja da aldeia. Mas ninguém veio. De onde estava conseguia olhar pela janela e vi o sol a esconder-se atrás de uma nuvem negra. Lá fora nem passos, nem palavras, nada. Não se ouvia absolutamente nada. Fiquei ali mais tempo do que os ponteiros do relógio conseguiram contar. Voltas e voltas sempre no mesmo chão. Segundos que se tornaram em horas demasiado rápido. Sem ninguém. Com um silêncio que ainda hoje é completamente mudo!

Amei-te Tanto

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Amei-te tantas vezes de uma só vez e sem sentido. Amei-te sem rumo, sem saber para onde íamos e onde acabaríamos. Amei-te com toda a alma, por alma de quem amei e nunca me quis. Amei-te sem destino numa cama de espinhos aguçados na mágoa qua ainda carrego no peito. Amei-te tanto. Amei-te muito. Muito mais tempo do que os ponteiros o relógio ditaram. Muito mais intensamente do que aquele vento que agora me sopra na cara, quando vou carpir as lágrimas de desdém, que sim, ainda choro. Como te amei, meu deus. Como me dói ainda pensar no que podíamos ter sido e nunca mais seremos. Nunca mais! Como aquela onda que aí está a chegar, que beija a fina areia e nunca mais volta. Nunca mais, meu amor!

Adeus...

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Vi-te partir como quem parte sem retorno. No comboio das quatro e meia. Abraçaste-me como se fosse para sempre teu e afastaste-te com o sorriso mais bonito do universo. Naquele instante, parte de mim foi naquela carruagem rumo a norte. Senti o peito a contrair e os olhos a fervilhar de dor. Tinha-te perdido. Sem nunca te ter tido afinal. Tanto tempo que passou e nunca percebi que tudo haviam sido histórias e sonhos mal contados. Adeus, meu Amor!

O Medo

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O medo… De quem fugi a vida toda. Medo de perder, muitas vezes sem nunca ter tido. Medo de deixar fugir, de deixar o tempo correr depressa demais e de me aperceber demasiado tarde. Sempre fui de receios. De suster a respiração, quando pressentia que algo menos bom vinha aí. Julgava eu, que se o fizesse a dor fosse menos dolorida e a pudesse suportar melhor. Os anos passaram e os medos ficaram. Saíam amiúde pelos meus olhos, expulsos por um coração que já não conseguia suportar mais sustos e tremores. Um dia partirão, como nós, no fogo ou na terra e arderão para sempre num outro lugar. Mais tranquilo, espero.