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Sobre a Saudade

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Faz tempo que não percorro as tuas pedras certas e frias. Tempo que dói a cada avanço do relógio na alma de quem ali pertence desde sempre. Faz tempo que ali corri descalço, de chinelos ou sapatilhas sempre à frente de uma felicidade contagiante. Faz tempo que estivemos todos. Como é que desde ontem avançamos tanto? Como é que ontem éramos tantos e agora somos tão poucos...Os outros desapareceram, foram andando para onde havemos de ir todos... Passado tanto tempo...vou voltar a pisar aquele chão, vou voltar a respirar aquele ar e quem sabe consiga, ainda que por instantes, ir buscar todos outra vez...

RESISTIMOS

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" Épocas houve em que do céu brotavam facas...afiadas e gumosas em forma de água gelada. Desviámo-nos enquanto pudemos, ziguezaguiantes com o medo que nos abafava a alma. Alturas houve em que não foi fácil não sucumbir, mantermo-nos fortes como exige quem nos ama. Mas no fim resistimos. Resistimos entre a espada e a parede, resistimos como quem caminha no fio da vida e se desequilibra pé ante pé. No fim somos nós. Mais fortes do que um só e do que todos julgavam que íamos ser. "

O VENTO!

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" O vento sopra no nosso ouvido pensamentos e histórias do que já foi.  Dos que já foram! Deixamo-nos ir nesse turbilhão de conversas que já tivemos. Recordamos  momentos que como as ondas vão e voltam à medida que a corrente decide.  O nosso rumo está com a tempestade e por instantes voltamos a ver as faces de todos."

LETRAS

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É de letras a minha vida.  De palavras desenhadas de sonhos e riscadas de amor.  É de sílabas carregadas de ternura e de tónicas, outras vezes de mágoas.  É de vivências ditadas no vento e reflectidas como espelho no mar.  É de letras tudo o que sou . Tudo o que vivo!

Saudades de ti...

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Sinto saudades de ti...  Abro os olhos e tu não estás olho a linha do horizonte e encontro-te...  O tempo demora a passar o sol deixou de brilhar guardo os sussurros que não esqueço  a estrada, o céu  e o mar...  Sem ti perdeu-se o sentido e mais nada tem valor tudo dói mais do que a dilacerante dor o raio que cai, o vento que passa, o amor...  dói demais a estrela cadente, o sol que é poente  e os sonhos que não voltam mais....

A Madrugada !

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A madrugada amanheceu e eu fui acordando eu, que no passado tantas vezes lhe adormeci. Lá fora o chilrear dos pássaros embalava a manhã que chegava devagar. Sentei-me, abraçei os joelhos e pousei-lhes a cabeça, levemente como as folhas que da janela vejo cair. O dia estava aí e eu que tantas vezes lhe adormeci... caí...

NO BAÚ...

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Sabes, Olhei-te tantas vezes de longe sem que me visses. Envergonhado nunca cheguei perto. Para mim bastava estar àquela distância e ver-te. Escrevi-te tantas vezes para a morada de um baú sem fundo onde ainda jazem esses manuscritos intermináveis. Era a minha a forma de te sonhar, de pensar que um dia, eu e tu poderíamos ser reais. Mas nunca fomos. Eu e tu apenas existiram na minha cabeça e nas folhas desse papel barato e manchado por aquela chávena de café, que um dia tombou numa madrugada gelada, quando se me bloquearam os nervos e os ossos de ambas as mãos. Agora quando penso em ti, já não há papel nem café nem pensamento que me valha. O sonho já foi. Nesse baú que expulsei assim que pude da cave de minha casa!

É QUANDO O TEMPO...

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É quando o tempo vai na areia do vento que a sopra, que sentimos o chão a deslizar. Um tapete imbutido nessa terra suja de areias e pensamentos ruins, que nos puxam e nos fazem cair como folhas no final de uma manhã de Outono. Na alma de quem chora, cada soluço é conforto. Cada lágrima é alívio. Só não sabemos naquele instante. É quando esse tempo nos foge que sentimos falta. Tentamos correr e chegar a todo o lado e a toda a hora. Pela primeira vez sentimo-lo escassear e corremos atrás, antes que a derradeira areia passe no filtro da vida. É quando o tempo nos foge e o peito nos dói, que somos mais nós para nós próprios e muito menos para quem nos rodeia.

A Lua...

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Vi-te ao fim da rua... A descer as escadas apressada e escorregadia. Vi-te passar como quem vai cheio de pressa ao pão, com medo que a buzina toque já na esquina seguinte . Delicada como a luz, fina como a sombra, deslumbrante como sempre... Vi-te ao fim da rua e apressei-me. Acelerei o passo , enquanto o coração me parecia cada vez mais propício a saltar do peito. O frio saía-me pelo nariz e pela boca em forma de um fumo que soltava, como se estivesse a fumar apenas mais um cigarro. Não me tinha apercebido do frio até então, mas que falta me faria agora um casaco... Dobrei a esquina a ver se te via... Já tinhas ido. Não te voltei a ver até que aquele barco no meio do Tejo buzinou e te vi a esconder. Sorrateiramente, enquanto os primeiros raios de sol começam a raiar....