A Lua...

Vi-te ao fim da rua...
A descer as escadas apressada e escorregadia. Vi-te passar como quem vai cheio de pressa ao pão, com medo que a buzina toque já na esquina seguinte .
Delicada como a luz, fina como a sombra, deslumbrante como sempre...
Vi-te ao fim da rua e apressei-me.
Acelerei o passo , enquanto o coração me parecia cada vez mais propício a saltar do peito. O frio saía-me pelo nariz e pela boca em forma de um fumo que soltava, como se estivesse a fumar apenas mais um cigarro.
Não me tinha apercebido do frio até então, mas que falta me faria agora um casaco...
Dobrei a esquina a ver se te via...
Já tinhas ido.
Não te voltei a ver até que aquele barco no meio do Tejo buzinou e te vi a esconder. Sorrateiramente, enquanto os primeiros raios de sol começam a raiar....

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