Ontem

 Eu ontem andei

e andei

 que nem um tonto perdido na rua

vagueando 

nas sombras da noite vazia.


Procurei abrigo nos candeeiros 

avulsos

no meio da avenida.

Perdi-me, 

quantas vezes 

havia para me perder! 


Molhado ,

na chuva de pensamentos 

fugidos

de uma maré inteira de pesadelo. 

Assustado

no ziguezague do vento!

Caído,

na calçada pérfida e fria.

Nauseabunda 

de cheiros e alma.


Eu ontem andei

o quanto pude andar,

mas nem a lua e nem o sol quando nasceu,

 me viu.

Ali ao lado,

Aqui tão perto!

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